quinta-feira, 10 de abril de 2014

Beija-flor-brilho-de-fogo

Topaza pella, Linnaeus, 1758.


O MAIOR E O MAIS BONITO BEIJA-FLOR DO BRASIL.




MACHO - ADULTO

O macho mede 20 cm  comprimento, sendo que mais da metade corresponde a cauda


Outro nome popular: Topázio-vermelho

Estas 3 fotos, foram gentilmente cedidas para esta matéria, por Flavio Guglielmino, feitas na Cachoeira Iracema em Presidente Figueiredo/AM em 08.08.2011. As 3 fotos estão no Wikaves, sendo que a primeira foto é uma das mais bem avaliadas da espécie.

Distribuição geográfica: Venezuela, Guianas e Brasil, no Amazonas, Pará, Rio Branco, Roraima e Amapá.


Caracteristicas: Comprimento 210 mm. Asa 80. Cauda 45. Bico 23. Vib. Asa 25 p.s. Temp. 42° C. Peso 17 - 18 g. Peso e medida dos ovos: 1,15 g. 18 x 11,5. Femea com dimorfismo bem diferenciado, menor , medindo 130 mm. Asa 74. Cauda 56. Bico 23.


Habitat: Floresta virgem da hiléia, raramente saindo para os scrubs e floresta secundaria, desde que seja limítrofe à grande floresta.

Migração: Sedentária.


FEMEA - ADULTO
Foto gentilmente cedida para esta matéria por Margi Moss, feita na beira da estrada Oiapoque/Macapá, 23.02.2012, também esta no Wikiaves.
Observação do autor: Se eu soubesse, quando tirei a foto, que era a fêmea desta magnífica espécie, teria ficado o dia inteiro esperando o macho aparecer! Obrigada ao expert Serge Santonja pela identificação!

Descrição; Lado dorsal com a cabeça na fronte e vértice negro, o dorso vermelho-carmim, gradualmente mais claro para chegar a dourado esverdeado e bronze avermelhado nas supracaudais; lado ventral vermelho-carmim violáceo, pouco mais brilhante no abdômen, mácula jugular topázio-dourado brilhante pouco esverdeado nos bordos; circulo que envolve essa mácula negro e estreto; supracaudais verde-cobreada. Retrizes centrais verde-cobre passando a negro-esverdeado; subcentrais com longa faixa negra-violácea às mezes negra com reflexos verdes muito longos, cruzados no centro; laterais internamente, parte negro violáceo parte vermelho, as demais inteiramente vermelhas, raramente um pouco enegrecidas na base. Asas negras tendo as grandes coberteiras avermelhadas ou estreitamente com bordos enegrecidos na extremidade e a mais interna mais largamente com bordos externos enegrecidos, passando mais ou menos ao verde na extremidade; crisso e plumas tibiais branco puro. Femea , dorsalmente verde pouco cobreado iridescente, pouco mais verde no uropígio e supracaudais; lado ventral mais verde-iridescente; mento e garganta com mácula vermelho-cobreado, pouco mais dourado nas margens, às vezes prolongando até o peito; infracaudais verdes forte iridescente. Retrizes centrais verde-bronzeado passando a negro na ponta; subcentrais inteiramente negro violáceo;  subexternas vermelhas com lado interno negro violáceo com toda metade basal; as externas vermelhas, muito pouco negro na base interna; grandes coberteiras alares enegrecidas com as rêmiges, raramente com vermelho na base.


MACHO - IDADE: INDETERMINADO
Foto gentilmente cedida para esta matéria por Marco Guedes, feita em Presidente Figueiredo/AM, em 09.09.2013. É uma das fotos mais bem avaliadas da espécie no Wikiaves.
Observação do autor: De todas as fotos feitas na viagem, esta foi a que mais me tocou, deu um trabalhão, duas campanas demoradas, olhando e esperando, muitas tentativas frustradas, momento errado, fora de foco, luz muito ruim -flash aí nem pensar - composição pobre até que, voilá essa prestou, me fez feliz, realizado por um momento.


MACHO - ADULTO
Foto gentilmente cedida para esta matéria por Marco Guedes, feita em Presidente Figueiredo/AM, em 09.09.2013. 

Observação do autor: Uma das sp mais cobiçadas de Presidente Figueiredo. Adorei fotografar este beija-flor briguento e atrevido, que pouco se importa com a nossa presença preocupado em defender agressivamente o seu território dos concorrentes. 

Guiados por Andrew Whittaker e na boa cia do Mathias Singer e do Emerson Kaseker.

Biótopos para nidificação, banho, canto, parada  nupcial, descanso, dormir e comportamento.
Há muitos anos que em nossas viagens à Amazônia brasileira, venezuelana, colombiana, peruana e equatoriana Temos encontrado ninho de Topaza pella. 
Faz o ninho sempre suspenso em um ramo, sobre a agua, desde 50 centímetros 


Estas duas fotos de ninhos foram gentilmente cedidas para esta matéria por Marilene R.Omena, feitas em 21.09.2003, no ramal do urubui, em Presidente Figueiredo-AM. Elas são o retrato fiel, da narrativa do mestre Augusto Ruschi, no que diz respeito a localização dos ninhos. Leiam, confiram.

a no máximo dois metros de altura; o mais comum é em local com agua encachoeirada de pequenos córregos; nesse caso ele é mais próximo da agua, 50 centímetros apenas e quando o volume da agua é maior e a agua não é em cachoeira, ele pode até estar em dois metros de altura. O teor de umidade é muito importante para este ninho, sua confecção especial, e seu tamanho relativamente pequeno, pois é menor do que um ninho de Chlorostilbom aureoventris, que é uma especie  cujo peso não chega a 4 gramas, enquanto a femea de Topaza pella pesa até 17 gramas. O ninho estando próximo a agua tem uma coloração rosa-escura, devido a umidade que recebe; uma vez retirado torna-se cor de carne. A umidade dá também uma elasticidade que parece ser feito de borracha esponjosa,  cedendo muito bem a medida que os jovens vão crescendo. Às vezes em uma pequena área, como encontramos na serra do Navio, em cerca de 1000m2, dez ninhos habitados: três com jovens, cinco com postura e dois restantes em construção. Essa área era privilegiada pelo numero de plantas com ramos horizontais, próprios e preferidos por Topaza, para nidificação.
     A femea utiliza unicamente o material vegetal de lanugem ferrugínea-rosada do ráquis e pecíolo das folhas , facilmente destacável de especies da família Osmundaceae. No caso observado na serra do Navio, território do Amapá, trata-se de fibras lanosa do pecíolo e raquis de Osmunda cinnamomea Lin. e provavelmente de outras especies como osmunda palustris Schrad. Estas fibras, após misturadas com a secreção que a  femea elabora, torna-se uma massa que se compacta como aparente borracha esponjosa, sendo muito elástica; pela parte externa do ninho a femea adiciona finíssimos fios de teia de aranha bem compactados e próximos no entrelaçamento. Ao exame de uma lupa de uma lupa com 20 a 50 aumentos, já se observam estas fibras de Osmunda cjnnamomea. Ocorre que também as vezes uma especie de himenóptero (marimbondo) utiliza o mesmo material para tecer seu ninho, onde coloca insetos com seus ovos no interior para a larva dele se alimentar e  ali ninsofeia e após a chegada do imago, quando deixa esse ambiente; em ninhos velhos, já usados, de Topaza pella, encontramos esses himenópteros com muitos insetos parasitados. A primeira noticia de ser o ninho de Topaza pella constituída  desse material foi dada pelo Dr. C.H. Greenewalt, pois solicitou-me material para mandar verificar do
que se tratava, e realmente em cativeiro em Santa Teresa coloquei esse material com maior abundancia no pecíolo de Osmunda sp. e verifiquei como a femea conseguia retirar o material e construir se ninho, tal qual o construído em seu habitat na serra do Navio.

NINHOS - FILHOTES














Foto feita em 04.07.2013, em Serra do Navio/AP
Observação do autor: Esse ninho de beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella) já esta na terceira geração de filhotes e ainda ta firme e forte fica quase debaixo de uma mini cachoeira em serra do navio-AP
Esta sequência de 7 fotos, com ninhos e filhotes, foram gentilmente cedidas para esta matéria por Wirley Santos, feitas na Serra do Navio/AP. Elas estão no Wikiaves, e são de contribuição muito interessante para a especie, pela dificuldade de se achar estes ninhos.

Banho
Escolhem um local situado nos igarapés, não muito longe das pequenas corredeiras, mas em uma poça onde a agua esteja sem movimento, com pouca profundidade, de 25 a 60 cm; nesse local, todos os dias pela manhã, entre 7 d 9 h, à tarde entre 14 e 16 h. vem tomar o banho costumeiro; interessante é que chegam vários exemplares, machos e femeas, se vão sucedendo ao local para o banho. Certamente que há muita agressão de uns aos outros, pela disputa não dom local, mas na ordem da fila para atirar-se na agua, observamos tanto na serra do Navio como em outras localidades, do Brasil e da Venezuela, que às vezes mais de 15 indivíduos frequentam o mesmo local para banho.  O canto chilreado e sons agudos emitidos são frequentes nesse momento, sempre que há disputa de ordem para ser respeitada entre os membros que vão banhar-se, seja machos ou femeas. A agua muito límpida deixa que vejam o fundo com areia e, após sobrevoar o local exato, se atiram a ele, um de cada vez, e em mergulho que às vezes fazem um percurso sob a agua de mais de 20 centímetros, conforme  pudemos fotografar exemplares machos e femeas nessa atitude; ao emergirem, o fazem com certa velocidade, e saem quase em vertical, lançando agua para todos os lados, em fortes borrifos, seguido em voo para um pouso próximo, um ou dois metros e a pouca altura, para volverem por várias vezes mais, repetindo a mesma cena, enfim pousam em local mais retirado, onde continuam a higiene da plumagem,sacudindo asas e causa por mais vezes para se desfazerem das gotículas de agua que umedecem as penas. Também aproveitam o banho de chuva, fazendo movimentos com o corpo, para um lado e para outro, a fim de deixarem penetrar a agua, por entre as penas que conservam eriçadas para facilitar o contato com o corpo; também neste caso as asas são muito movimentadas para o mesmo fim.

O espreguiçar
Isto ocorre por muitas vezes durante o dia. A primeira vez ocorre justamente ao despertar entre cinco e seis horas da manhã, momentos antes de alçar vôo para ir em busca de alimentação. As demais vezes ocorrem sempre que se mantenham em pouso...

O Bocejar
Ocorre com mais intensidade na parte da manhã entre 8 e 10 horas...

A exibição da língua
A língua dos beija-flores é muito protráctil, os músculos que a formam e a maneira como é implantada, bem como sua dimensão, que  sempre é no minimo o dobro do comprimento do bico...

O canto e o movimento realizados durante o pouso
Durante o canto movem a cabeça e chegando mesmo a abrir um pouco o bico e movimentando as penas do mento e da região da mácula gutural,,.
Citação: Aves do Brasil - Beija-flores - Volume V - Augusto Ruschi



FEMEA - ADULTO
Foto gentilmente cedida para esta matéria por Robson Czaban, feita 28.03.2010, na Estrada para Balbina KM 35, Presidente Figueiredo/AM
Observação do autor: Mais uma vez encontrei a espécie, associada a este tipo de planta. Embora já tenha visto uma fêmea se alimentando em flor de ingazeiro, parece haver uma nítida preferência por esta planta, que parece se chamar rabo de arara.




FAMILIA TROCHILIDAE
SUBFAMILIA TROCHILINAE

Ordem Trochiliformes
  
Etimologia: Topaza - do latim ropazuz = topázio, jaspe (variedade de quartzo opaco, de uma ou várias cores, como vermelho, castanho, verde, amarelo)
pella - do latim pellos = enegrecido, de cor escura.
Citação: Aves Brasileiras - Johan, Christian Dalgas Frisch.



BEIJA FLORES DO BRASIL - NUMERO 23